| Veríssimo, Luis Fernando |
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Luis Fernando Verissimo nasceu em Porto Alegre em 1936. Consagrou-se como um dos mais importantes escritores do pais, com uma obra vasta... incluindo romances, crônicas, quadrinhos, infantojuvenis, muitos adapatados para cinema, teatro e TV. Mestre da narrativa curta, assina colunas diárias na imprensa brasileira. Pg 7: O tempo não tem pontos fixos, o tempo é uma sombra que dá a volta na Terra. Ou a Terra é que dá voltas na sombra. Nossa única certeza é que será sempre a mesma sombra - o que não é uma certeza. É um terror. Pg 23: - Alo Pg 49: Outra coisa: psicologia. Fui da primeira geração criada com psicologia. Nada de castigo – comentou. Ele rabiscou toada a parede? Está tentando expressar alguma coisa. É, usou o batom da mãe? Ih, cuidado, uma surra agora pode deflagrar um processo de introjeção edipiana e traumatizá-lo para sempre. Também fui da primeira geração que, com a invenção da calculadora de bolso, não precisava decorar a taboada. Resultado: cresci sem a noção de duas coisas importantes: pecado e matemática. Pg 57: Eu deveria ter desconfiado que o nariz arrebitado não era tudo. Que ela tinha me enganado esse com seu jeitinho de falar, com o apelido que me deu: Guguinha, veja o senhor: Guguinha, que só depois de descobrir ser o nome de um cachorro que ela teve quando era pequena e morreu atropelado. Pg 84: A recusa da morte é a mãe da filosofia. A idéia de deixar de existir é profundamente repugnante para o nosso amor próprio. Aceitando a morte como um consolo, como um álibi, eu também estou me livrando desta absurda pretensão de meu ego, que é a de que eu não posso simplesmente acabar. Logo eu, de quem eu gosto tanto. Por isso se inventam religiões, e mil e uma maneiras da vida continuar, nem que se volte como um cachorro. Pg 115: É por isso que eu gosto dessas revistas femininas. São puro sexo...Cento e dezessete maneiras de atingir o orgasmo usando utensílios domésticos, incluindo o marido. Pg 128: A preguiça não quer nem saber. A preguiça é um macaco que deu errado, um equivoco da evolução, e ele se esforça para não chamar atenção para o erro. Se me descobrirem, me extinguem. Uma vez perguntaram a Darwin sobre a preguiça e ele fingiu que procurava um lápis embaixo da mesa. Todo animal tem uma função no universo. Pode ser a mais prosaica, como comer formigas, mas tem. Menos a preguiça, A preguiça não serva para nada. É uma expectadora do drama da criação. E mesmo como espectadora é incompetente, pois vê tudo de cabeça para baixo. Ao contrario. O sol não se levanta para a preguiça, ele cai do horizonte como um ovo da galinha. O céu é o chão e o chão é o céu da preguiça. O espantoso é que com tanto sangue lhe subindo a cabeça a preguiça não tivesse desenvolvido o melhor cérebro do mundo animal. Há quem diga que desenvolveu, que a preguiça já pensou em tudo e resolveu que não valia a pena. Com duas semanas de existência, como sangue fazendo o cérebro crescer duas vezes mais depressa do que o de qualquer outra espécies, a preguiça já tinha esquematizado toda a progressão da vida na Terra, desde o homem macaco até Clovis Bornay, desde a roda até o foguete e desde o tambor tribal ate a ONU. E desistiu, antes de começar...Para a preguiça nenhuma crise é novidade: o mundo está de pernas para o ar há muito tempo. Pg 130: (falando de seu conhecimento profundo sobre a Sandrinha)... Inventei uma ciência exotérica, de um praticante e de um interessado só. Não posso dar cursos, publicar teses, formar discípulos. Participar de congressos sobre a Sandrinha. Sou doutor em nada. Doutor em saudade. Entende? Desperdicei dez anos numa especialização inútil. Pg 133: A melhor historia de garrafas e bilhetes que conheço é a de um anuncio, acho que do uísque Chivas Regal. Um cartum mostra alguém na praia lendo um bilhete retirado de uma garrafa trazida pelas ondas. O bilhete diz: "Estou em uma ilha deserta, só eu e oitenta garrafas de Chivas Regal, que sobraram do naufrágio. Por favor, não mande ajuda!" Pg 172: Um dia vocês lembrarão dessen período em suas vidas e se perguntarão: Como podemos ser felizes com tão pouco? É o que os franceses chamam de "Nostalgie de La privacion". Jorge está tentando convencer Marta, sua esposa, sobre a importancia do jantar que o novo chefe teria em sua casa e que deveria usar um vestido mais decotado. - Não, Marta! Mas ele aceitar vir provar meu suflê é um sinal de que quer me conhecer melhor. Podemos ficar amigos. Este jantar pode decidir a nossa vida, Marta. Preciso que vc faca sua parte. Em Algum Lugar do Paraíso |



Sports physician and orthopaedist. Vice President of ICSSPE. Coordinator of Agita SP and CELAFISCS.
Specialist in sports medicine. Creator of the Project Longitudinal Aging and Physical Fitness.
Professor of Physical Education. Training in Research in Sports Science at CELAFISCS. PhD in Rehabilitation.